Colecionando grãos de felicidade
Viver é doloroso, por diversas formas.
Mas só alguns sentem.
Só os verdadeiros seres humanos tem a capacidade de sentir tal dor.
A dor que vem por vários caminhos, que tem diversas razões.
Não sei como evitá-las, como senti-las, como suportá-las, muito menos como desviá-las.
Sempre acreditei que deveria viver de acordo com as batidas do meu próprio coração.
Me tornar alguém que não se permite ser aceito pelos outros em troca da própria felicidade.
Sempre nadei contra a correnteza, fui do contra, andei pelo outro lado das calçadas.
Mas, o que isso me custou?
A angústia do artista não é a falta de felicidade?
Felicidade buscada dentro do próprio fazer artístico?
O custo da felicidade de ser fiel a mim mesma é a angústia desmedida?
Por que nos abalamos tão fácil, por coisas tão triviais?
Sou forte, sei que há forças dentro de mim, mas ela está tão soterrada por sofrimentos banais.
A angústia é produto do próprio ser, assim como a felicidade não tem vida fora de nós mesmos.
Sigo vítima das minhas próprias boas intensões.
O combustível é a busca.
O comodismo é a morte ainda em vida.
Tento me levantar, me colocar de volta no caminho do movimento, na busca para tais respostas e talvez eu encontre grãos de felicidade pelo caminho dos quais eu possa colecionar e me alimentar deles sempre que for necessário.



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