Se eu posso ser artista... que tipo de artista eu sou?
Eu queria ser a artista que eu nasci pra ser, mas acabei me escondendo dentro de mim mesma... com medo da rejeição, com medo da crítica, com medo de arriscar, com medo de ser eu mesma.
Na minha alma ainda habita esse desejo de me expressar, mas eu não sei mais como fazer isso, não sei mais ser natural, tudo é pensado, calculado... eu gostaria de voltar a ser espontânea.
Queria saber como expandir a minha criatividade, como voltar a não ter medo, como ser feliz novamente pensando apenas no meu bem estar e em como eu posso mobilizar e impactar positivamente o mundo e as pessoas.
Gostaria de poder dizer o que eu sinto e o que eu quero, poder trabalhar os vários papéis mas ao final do dia, poder ser reconhecida apenas por ser eu mesma, deixar uma marca e ser compreendida por isso.
Pode ser que meu talento ainda não tenha sido descoberto nem por mim mesma ou eu apenas não me apropriei dele ainda.
Acho que preciso me conhecer melhor, a terapia tem me ajudado, mas quando a gente acha que sabe de alguma coisa, a vida dá uma rasteira e você começa a questionar até o que você achava que já era caso resolvido.
Estou em dúvida entre prática e teoria. Tenho medo de estar num ambiente onde todos se acham artistas e eu aquela que não tem nenhum tipo de técnica ou competência ou quem sabe, eu seja mais artista que aqueles que tem a certeza de que o são.
Minha arte se cria a partir de motivação emocional, mas minha disciplina e foco são péssimos.
Eu gostaria de ter a certeza de que eu sei fazer algo, que eu sou boa em alguma coisa. Não sei se essa certeza um dia vai aparecer, enquanto espero, pratico: a escrita, o desenho, o cinema, a fotografia, pintura, literatura....
Não gosto de arte clássica que se caracteriza por status social, não gosto de intelectualismo fanático ou falso... gosto de coisas populares ao nível de qualquer um poder ter acesso, gosto de coisas feitas pelas pessoas para pessoas.
Acho que gosto daquilo que me toca, daquilo que eu me identifico, aquilo que me conecta de alguma forma com o mundo e o universo em si.
Enquanto não me acho, vou aproveitando a arte que a vida me disponibiliza e criando um outro tanto ao meu modo.


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